O equilíbrio da autoridade delegada na igreja

 

Pastor Geraldo Batista

       A autoridade espiritual é um dos grandes ensinos da Palavra de Deus. Apesar de necessária e abençoadora, precisamos tomar cuidado com as distorções e excessos que podem ocorrer quanto à interpretação e aplicação dessa verdade. E eles têm ocorrido. O abuso da autoridade na igreja é um assunto que tem trazido infindáveis confusões a muitas pessoas, acarretando prejuízos e sofrimentos para o Reino e para o povo de Deus. Ensinamentos arbitrários têm causado tremenda dor e tristeza em muitos cristãos honestos e sinceros.

        Quando as verdades bíblicas são ensinadas ao extremo, com aplicações desequilibradas, elas têm a capacidade de destruir vidas, tanto individual como coletivamente. Toda verdade bíblica se explica pelo todo da Bíblia, comparada com outras passagens e exemplos, com mandamentos, parábolas e alegorias. A Bíblia é a maior intérprete de si mesma, já diz a boa hermenêutica, e por isso não pode ser usada como apoio a pretensões meramente pessoais, arrumadas para satisfazer a vontade e os projetos de indivíduos, mais do que a vontade de Deus.

O maior exemplo de autoridade delegada, no Novo Testamento, é o de Jesus, quando enviou os Seus discípulos. Em Mateus 10, Jesus escolheu e enviou os doze, com ordens de pregar o Reino de Deus, curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos e expulsar os demônios, junto com várias outras recomendações (Mateus 10.5-15). Com instruções semelhantes Ele delegou autoridade e enviou os Setenta, em Lucas 10. E eles voltaram cheios de alegria porque a autoridade do nome de Jesus funcionou de verdade.

Depois da morte e da ressurreição de Jesus, o tema da autoridade delegada voltou a entrar na pauta, na ordem do dia. A própria Grande Comissão mostra que toda autoridade, no céu e na terra, foi dada a Jesus. É com base nisto que Ele diz: “IDE, portanto, fazei discípulos… batizando-os… ensinado…” (Mateus 28.18-20). Ele deu também as condições e a maneira como faria isto: “Como o pai me enviou, eu também vos envio” (João 20.21). Não de qualquer maneira, mas segundo o modelo que Ele estabeleceu. “Como… assim também…” É nesses termos que devemos agir e também delegar para outros.

Ensinando sobre a Santa Ceia, o apóstolo Paulo diz: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei…” (I Coríntios 11.23). Esta é a base: só devemos entregar o que recebemos do Senhor, e o que recebemos Dele, devemos passar adiante.

Quando as Escrituras falam de autoridades superiores, elas estão sugerindo que há níveis legítimos e uma estratificação de autoridades, às quais devemos nos submeter. Agora, quando as autoridades superiores (divinas) e as inferiores (humanas) entram em conflito, temos que escolher a obediência divina conforme Atos 5.29: “Antes importa obedecer a Deus do que aos homens”.

Normalmente há uma tendência de se pensar que submissão é ser inferior. Jesus nunca foi inferior ao Pai ou menor que Ele pelo fato de lhe ser submisso. Pelo contrário, como resultado da humilhação e submissão espontânea de Jesus Cristo, o Pai lhe deu o nome que está acima de todo nome (Filipenses 2.9). Temos de entender que entre iguais há uma relação de autoridade e submissão. Isto faz parte da ordem divina. As autoridades delegadas estão em todas as áreas de nossas vidas. Podemos ser ao mesmo tempo o que concede e o que recebe a delegação. Um discípulo do Senhor deve, onde estiver, procurar saber quem é a autoridade delegada sobre ele e responder com submissão.

Por outro lado, a autoridade deve ser conquistada, não imposta. Nossos projetos e visão, quando são implantados à força, podem até funcionar, mas não estarão operando dentro da mais perfeita vontade de Deus. Podemos estar armazenando ressentimento, amargura e insatisfação no coração dos fiéis com relação ao ministério, causando sérios prejuízos no Reino de Deus. Tudo isso pode acontecer por causa de uma autoridade imposta.

Um bonito exemplo de autoridade delegada é o Centurião que teve o servo curado por Jesus. Quando ele disse que seu servo jazia na cama, paralítico, sofrendo horrivelmente, Jesus disse que iria lá para curá-lo. “Mas o centurião respondeu: Senhor, não sou digno de que entres na minha casa; mas apenas manda com uma palavra, e o meu rapaz será curado. Pois também sou homem sujeito à autoridade, tenho soldados às minhas ordens e digo a este: vai, e ele vai; a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faz isto, e ele o faz”. (Mateus 8.5-10). Jesus ficou muito admirado, afirmando que nem mesmo em Israel ele vira semelhante fé.

Eu costumo dizer que a EVIDÊNCIA DA OBEDIÊNCIA É SATISFAÇÃO, quando obedecemos de coração, com alegria. Dessa forma expressamos satisfação com aquilo que nos foi pedido. As curas, as bênçãos, os bons resultados vêm como resultado de obediência correta, submissão. O crescimento, a capacitação e a formação de líderes maduros e equilibrados vêm como resultado de um bom discipulado, de uma boa delegação, de acordo com o exemplo de Jesus.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s